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Quinta-feira, Dezembro 10, 2009

Pensar de mais, estraga.

Já passava das três horas da tarde e eu ainda não tinha almoçado, nem fumado um cigarro e muito menos tinha saído de casa.
Depois de sair de um banho que lavou a minha alma tediosa, decidi preparar finalmente algo para comer.
Abri a porta da geladeira e reparei que tinha algo que não cheirava bem. Não sabia o que era então me pus a farejar até encontrar, para poder dispensar no lixo, seja lá o que fosse.
Meu nariz não estava em perfeitas condições.
Enfiei a cabeça dentro da geladeira e comecei a usar o olfato como os cães fazem, respirando rápido pelo nariz e deixando que ele guiasse a minha cabeça por entre as divisões da geladeira.
No processo, me distrai com algumas coisas, dentro da geladeira e dentro da minha cabeça. É conhecido que as geladeiras te fazem pensar enquanto estão abertas.
Já era tarde, pensei que deveria ter almoçado mais cedo. Eu ainda não sabia o que iria preparar para comer junto do arroz e feijão que estavam nas panelas tampadas em cima do fogão. Estava com uma tremenda vontade de fumar, mas fumar antes do almoço me faz perder a fome.
Abri a gaveta que fica na parte de baixo da geladeira e encontrei algumas frutas, verduras e um saquinho de supermercado. Abri o saquinho e verifiquei algumas uvas passas.
Isso me remetia ao começo do final do ano e toda a palhaçada ébria que estava se aproximando.
Mesmo assim, decidi comer algumas antes de continuar com a missão de caça a mistura. É fácil caçar quando se possui uma geladeira.
Mastiguei algumas uvinhas e foi então que encontrei, pelo sabor, o que não cheirava bem lá dentro...
Ovo. Decidi então, fritar um ovo.

Terça-feira, Dezembro 08, 2009

No Meu Quintal

No meu quintal tem uma horta onde mora uma margarida

No meu quintal tem uma grande arvore onde mora um duende

No meu quintal não tem grama

No meu quintal tem barro quando chove

No meu quintal tem um monte de sucatas onde mora alguém sem coração

No meu quintal tem Flores onde moram as Fadas

No meu quintal mora um Dragão

No meu quintal tem abelhas e pássaros que falam comigo

No final do meu quintal

Existe uma casa

Mas eu não sei quem mora lá

Sexta-feira, Outubro 16, 2009

Buzinas

Buzinam e buzinam e as sirenes não cessam!
O barulho perturba o meu sono e os meus sonhos!
As luzes não param de girar em volta do meu corpo
E as palavras de "pare!" gritam nos altos falantes e nos mega fones

A onde está a velha musica que era pra dentro
E o canto dos pássaros que é de dentro pra fora
Como tem que ser, pois não poderia fazer diferente

Mas não! Insistem nas buzinas e nas sirenes!
Apelam para nossas famílias
E nosso sangue do dia-a-dia!
Vestem Satã com as roupas de um Deus morto

Na até então calada da noite
Os gritos de alerta gritam na cabeça de todos

"É CADA UM POR SI!"

E o toque de recolher vem cedo
No primeiro tapa sacana do médico viciado

E entrega com as mãos mais limpas que a consciência do mundo
Um recém nascido nos braços de uma mãe em torpor

É proibido buzinar nos hospitais
Mas até lá já são buzinas de mais

E o ruído do mundo permanece
Mesmo em todo aquele silencio surdo

Terça-feira, Setembro 01, 2009

Enquanto isso...

Parece que as coisas estão diferentes
Um pouco de tudo e mais um tanto de nada

O ar da noite está esquentando
A luz da lua esta brilhando mais forte

O vento sopra com um sorriso de Maquiavel
E a chuva molha como um abraço de Sade

Os pés pisam pesado
Naquele mesmo chão de asfalto
Lembra?
Esquece

La de cima elas olham
Dos becos sussurros
Chamam baixinho

Não HA como evitar

Um Cheiro salgado de pele e suor
Como um doce que a saliva derrete

Na boca no queixo
Pelo pescoço
E o caminho que segue
São insinuações de fome
Que não cabe na boca

E come com os cantos dos olhos
E observa com as mãos

Com o espírito vestido de vermelho
E a moça com copas nas mãos
Só sobra então
Paus

As coisas estão mesmo diferentes
o corriqueiro caiu no mundo
Sentiram algo em suas calças
E o chamaram de Herói

O bueiro, soturno
Gargareja gargalhadas
Altas que saem de todas as bocas
Cheias de línguas e dentes

Põe o óculos

La vem o sol
La vem de novo

La vem à sobriedade e a ressaca
La vem, não tem como fugir
Ta tudo dentro da cabeça
Tudo foi posto lá propositalmente

Mas o Pudor, não tem.
Nem deve
Nada a ninguém

O espelho é problema de cada um
Saca?

Quinta-feira, Agosto 20, 2009

Devoto Tempo

Eu devoro o tempo
Tenho fome, tenho pressa
Meu alimento

Meu devoto tempo
Escorre-me horas

Pelas mãos

Limpo os dias
Na toalha da mesa

Sabor de fruta
De maquina
Gosto de duvida
Sabor de dor

Eu descasco o minuto
Segundo por segundo
Milésimos pelo corpo

E o tempo que levo
Enquanto rumino o tempo
É o tempo que leva
Para ele
Devorar-me por dentro.